Introdução

Kant e o Iluminismo

“Sapere aude [wage es verständig zu sein]!

Habe Muth, dich deines eigenen Verstandes zu bedienen!

Ist also der Wahlspruch der Aufklärung.” 

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Expoente máximo do Iluminismo alemão, Immanuel Kant vê neste a saída do homem da sua menoridade, de que ele próprio é culpado. Kant entende por menoridade explícita a falta de capacidade de se servir do entendimento, sem a orientação de outros.

Sapere aude! Tem coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do iluminismo.

A preguiça e a cobardia são os motivos que levam os homens, em grande parte, após a natureza os ter há muito libertado do controlo alheio, a continuarem de bom grado menores durante toda a vida. É tao cómodo ser menor… Se eu tiver um ivro que me explica tudo, um diretor espiritual que, em vez de mim, tem consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então, não preciso de eu próprio me esforçar.

Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar! Outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. É, pois, difícil a cada homem desprender-se da menoridade que para ele se tomou quase uma natureza, até lhe ganhou amor e é por agora realmente incapaz de se servir do seu próprio entendimento, porque nunca se lhe permitiu fazer semelhante tentativa. Mesmo quem dos tutores se soltasse, só daria um salto inseguro sobre o mais pequeno fosso, porque não está habituado ao movimento livre. Todavia, sempre haverá, de facto, alguns que pensam por si e que espalharão à sua volta o espírito de uma estimativa racional do próprio valor e da vocação de cada homem para pensar por si mesmo.

Por meio de uma revolução, talvez se possa levar a cabo a queda do despotismo pessoal e da opressão gananciosa ou dominadora, mas nunca uma verdadeira reforma do modo de pensar. Novos preconceitos, justamente como os antigos , servirão de rédeas à grande massa destituida do pensamento. Mas, para esta ilustração, nada mais se exige do que a liberdade.

Porque, de todos os lados, ouço a gritar: nao raciocines, paga! Por todo o lado nos deparamos com a restrição da liberdade. Mas qual é a restrição que se opõe ao Iluminismo?

Resposta: o uso público da própria razão deve sempre ser livre e só ele pode, entre os homens, levar a cabo a ilustração; contudo o uso privado da razão pode, muitas vezes, restringir-se fortemente sem que, no entanto, se entrave o progresso da ilustração.

O ponto central do Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade culpada, sobretudo nas coisas de religião, porque em relação às artes e às ciências os nossos governantes não têm interesse algum em exercer a tutela sobre os seus súbditos.

Mafalda Ribeiro

 

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