As Questões Filosóficas ...

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Sobre o Budismo … por Mafalda Ribeiro

Sobre o Budismo … por Mafalda Ribeiro

O Budismo

O budismo é um dos fenómenos mais antigos do mundo. É a quarta religião depois do Cristianismo, do Judaísmo e do Hinduísmo. O Budismo não é propriamente uma religião mas mais uma filosofia de vida, visto que, no centro da sua mensagem está o homem. Deus fica numa enigmática penumbra.

O objectivo do Budismo, não é a fusão em Brama (o Absoluto), nem a união com Deus, contudo chegar ao Nirvana que significa apagar os fogos da saudade e do apego. Ensina a via para fugir ao sofrimento e à dor.

“Há uma esfera que não é certa, nem água, nem fogo, nem ar: a esfera do nada. é só aí o fim do sofrimento.”, Buda.

Um dos princípios fundamentais do budismo é o desenvolvimento de uma atitude de compaixão ou benevolência, de amor, e de comunidade com todos os seres vivos, sem ferir, ofender ou depreciar nenhum deles.

A doutrina budista consiste em “quatro verdades santas”. A primeira é que “Toda a existência é insatisfatória e cheia de sofrimento”, a segunda, por consequência, é que “Este sofrimento é causado pela ignorância, pelo desejo ardente ou apego – esforço constante para encontrar algo de eterno e estável num mundo transitório.”, a terceira é “O sofrimento ou insatisfação pode-se superar na totalidade – é o Nirvana” e por fim, a quarta é “Consegue-se alcançar a nirvana seguindo o nobre cominho das Oito Vias”.

A quarta “verdade santa” fala de oito vias, sendo elas a compreensão certa (ou fé pura), o pensamento dirigido certo (ou vontade pura), o discurso certo (ou linguagem pura), a conduta certa (ou acção pura), o esforço certo (ou aplicação pura), a vida certa (ou meios de subsistência puros), a atenção certa (ou memória pura) e a concentração certa (ou meditação pura), não tendo de ser seguidas pela ordem estabelecida.

O budismo acredita que um ser humano antes de atingir o Nirvana, lugar de absoluta tranquilidade, onde o sofrimento não existe, passa por diversos renascimentos.

No Budismo não existe a alma; há somente a sequência de um momento de aparecimento que dá origem ao seguinte, de forma que a morte representa simplesmente uma nova forma de aparecimento, como ser humano ou animal, no céu ou no inferno.

Os três pecados principais do Budismo são a ganância (representada pelo porco), o ódio (representado pela serpente) e a ilusão (representado pelo galo).

“Consumido pelo desejo ardente, enraivecido pelo ódio, cego pela ilusão, esmagado e desesperado, o homem contempla a sua própria queda, a dos outros e ambos em conjunto”.  Buda.

 

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Conseguimos distinguir os sonhos da realidade ? Inception vs filosofia


Podemos perfeitamente estar a viver num sonho e pensar, ao invés, que esta é a realidade.

Há alguma maneira de provar o contrário ? Não.
O sonho pode ser de facto a nossa “realidade”. Há quem possa tentar contra-argumentar e dizer “Eu não vivo num sonho porque eu sonho quando vou dormir e no dia-a-dia vejo, falo e interajo com pessoas reais” , mas o filme explica precisamente que podemos estar apenas noutro nível de um sonho ( ou seja, um sonho dentro de um sonho, podem assim existir níveis infinitos ) e que as pessoas e o resto do mundo podem ser meras projeções e criações feitas pela nossa mente.

A única maneira de descobrir seria morrer, que tal como sabemos, e é explicado no filme, é como um “kick” para voltar à realidade, ou seja acordar.

Não conseguimos distinguir a realidade do sonho, os objetos físicos e o mundo exterior são, por isso, postos em causa. Devemos, neste caso, confiar nos nossos sentidos ? Quando sonhamos, sentimos com tanta ou mais precisão as emoções e os objetos como na realidade. Afinal, estarão os nossos sentidos mesmo a enganar-nos ou viveremos nós na realidade? Estarão outras pessoas, detentoras de tecnologia habilitada para invadir e manipular sonhos, a tentar roubar os nossos pensamentos mais secretos e profundos, ou até mesmo implantarem ideias e fazerem-nos acreditar que provêm de nós próprios ? Como poderemos defender-nos e proteger-nos de tais acontecimentos, se os sentidos não são fiáveis nesta situação?

No filme, a equipa tem um objeto (totem) que os ajuda a distinguir a realidade dos sonhos e apenas assim é possível saber se se encontram num sonho ou na realidade. No entanto, nem assim a realidade é distinguível do sonho, pois estes não são mais que ideias que não controlamos por residirem no nosso subconsciente. Não há absolutamente nada que nos possa assegurar que não vivemos numa mera ilusão da realidade.

Se para Cobb (personagem principal) o sonho era a sua realidade, não poderá ser a nossa também ?

“You mustn’t be afraid to dream a little bigger darling.”

Eva Morais

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Sobre a existência da alma …

headshotStuart Hamerroff, director do Centro de Estudos da Consciência da Universidade do Arizona e Roger Penrose, físico e matemático britânico da Universidade de Oxford, estão determinados a provar cientificamente a existência da alma e agora, finalmente, apresentam uma hipótese válida para a sua tese.

Segundo Hamerroff e Penrose, o cérebro humano funciona como um computador biológico com 100 mil milhões de neurónios que se comportam como redes de informação. Estes possuem no seu citoplasma estruturas proteicas que integram o citoesqueleto das células, os microtúbulos.

De acordo com os investigadores, estes microtúbulos já se encontram a uma escala tao pequena, que a energia neles contida é energia quântica. Aquando a morte do individuo (morte cerebral), esta energia é libertada de volta ao universo, como é dito na Lei de Lavoisier (nada se perde, nada se cria, tudo se transforma), sendo assim há uma parte constituinte do nosso corpo que efectivamente não morre. É esta energia quântica que flui nos microtúbulos que os cientistas dizem puder tratar se da alma.

Uma das críticas feitas a esta teoria é a explicação para as experiências quase-morte. Nestes casos, o individuo é classificado clinicamente morto mas, por meios de reanimação, volta a viver. O que acontece então à energia quântica a que chamam de alma? A explicação de Hamerroff e Penrose é que esta energia pode voltar ao corpo, se este voltar a funcionar.

A dupla também se apoia no facto de os relatos deste tipo de experiências serem semelhantes. Os relatos mais comuns são a saída do corpo físico e levitação por cima do mesmo e, também, a sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado no fundo. A existência de tantos relatos de numerosas pessoas leva a questionar se esta experiência deriva do que experienciamos durante a nossa vida ou de algo mais. Se a alma for de facto real e se abandonar o corpo após a morte, todas estas histórias tão parecidas começam a fazer mais sentido.

Desde que o Homem existe, que encara uma das perguntas mais fundamentais da filosofia: será que a morte é mesmo o fim? Será que alguma parte do ser humano resiste? Será que há vida após a morte? Até agora, esta pergunta tem sido respondida principalmente por várias religiões, que encaram a morte apenas como uma passagem do mundo físico para o mundo espiritual, para que nós, humanos e meros mortais, possamos conhecer os deuses, nossos criadores. Claro que a explicação destas religiões pouco ou nada se baseia em provas empíricas, mas totalmente na crença dos seus seguidores. Agora, finalmente, podemos encontrar uma explicação científica credível que nos leve de facto a pensar e “acreditar” numa vida após a morte do corpo. Talvez agora dedicaremos a nossa vida a enriquecer esta parte invisível do nosso ser, que parece ser mesmo a totalidade dele, agora que cada vez mais nos apercebemos que o corpo é apenas um veículo, e a alma o seu condutor.

Beatriz Fernandes

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